Os produtores rurais que dependem da irrigação para manter a produtividade enfrentam desafios cada vez maiores para garantir o funcionamento adequado dos pivôs centrais. O aumento da frequência e da intensidade dos períodos de estiagem em diversas regiões do país tem provocado uma queda significativa nos níveis de rios, reservatórios e barragens. Como consequência, os sistemas convencionais de captação, baseados em tubulações fixas instaladas nas margens, têm perdido eficiência operacional.
A redução expressiva da disponibilidade hídrica impacta diretamente a continuidade das atividades agrícolas, tanto por questões técnicas quanto por exigências legais. Em muitas propriedades, as estruturas de bombeamento estão localizadas próximas a Áreas de Preservação Permanente (APPs), onde intervenções como dragagens ou escavações em leitos de rios são restritas pelos órgãos ambientais estaduais. A realização dessas obras sem autorização pode resultar em multas elevadas e até na suspensão imediata das outorgas de uso da água.
Captação inadequada aumenta riscos de danos aos equipamentos
Durante períodos de baixa nos rios, a extremidade da tubulação de sucção tende a ficar muito próxima ao leito, favorecendo a entrada de sedimentos no sistema. O fluxo gerado pelas bombas acaba aspirando areia, lodo e outros materiais particulados, o que acelera o desgaste dos componentes internos e pode comprometer o funcionamento do conjunto de bombeamento.
De acordo com observações técnicas realizadas pela consultoria Jacobucci Irrigação, a utilização de água com elevada concentração de impurezas faz com que os motores trabalhem sob maior esforço operacional. Essa condição pode aumentar o consumo de energia elétrica em até 30% nos sistemas de captação, além de elevar o risco de paradas inesperadas para manutenção. O problema se torna ainda mais crítico durante fases sensíveis do desenvolvimento das culturas, como o período de enchimento de grãos.
Para enfrentar esse cenário sem infringir a legislação ambiental, profissionais do setor têm adotado novas soluções tecnológicas para garantir a eficiência do manejo da irrigação. Um exemplo recente, implantado em Chapadão do Sul (MS), utilizou um sistema de sucção flutuante equipado com filtro horizontal e boias, permitindo que a captação ocorra próxima à superfície da água, reduzindo significativamente a entrada de sedimentos.
Sistemas flutuantes ganham espaço nas propriedades rurais
A adoção de estruturas de captação flutuantes permite que o ponto de sucção acompanhe automaticamente as oscilações do nível dos rios e reservatórios. Como o equipamento permanece na camada superior da água, onde há menor concentração de partículas em suspensão, ocorre uma redução importante dos riscos de entupimento e desgaste dos componentes do sistema de irrigação.
Outra alternativa que tem contribuído para melhorar a eficiência operacional é a utilização de telas e filtros autolimpantes, capazes de remover automaticamente resíduos como folhas, algas e pequenos galhos. Com isso, o fluxo de água nas tubulações permanece estável, evitando perdas de pressão e reduzindo a necessidade de intervenções corretivas.
A adoção dessas tecnologias contribui para ampliar a vida útil dos equipamentos, preservar o desempenho dos motores e assegurar maior uniformidade na distribuição de água nas lavouras. Especialistas destacam que a escolha adequada dos componentes hidráulicos e o correto dimensionamento dos conjuntos moto-bomba são fatores decisivos para o sucesso das adaptações, especialmente em cenários de variação significativa da vazão disponível.
Além dos benefícios operacionais, a estabilidade na captação também favorece o cumprimento das exigências estabelecidas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), garantindo maior segurança no atendimento aos volumes autorizados nas outorgas de uso da água.
Diante do avanço das estiagens e da necessidade de modernização dos sistemas de irrigação, produtores rurais encontram atualmente no mercado diversas alternativas de equipamentos e componentes capazes de tornar as estruturas de captação mais eficientes, seguras e adaptadas às novas condições climáticas.