Feijão-carioca registra maior valorização da história em fevereiro de 2026

O mercado do feijão-carioca começou 2026 em forte alta. Em fevereiro, o grão alcançou o maior nível de preços já observado na série histórica, impulsionado principalmente pela restrição na oferta da primeira safra. Dados levantados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que o valor médio do produto avançou 29,3% no comparativo mensal.

Esse desempenho superou, inclusive, os patamares registrados em maio de 2025, configurando a maior variação mensal já contabilizada para o feijão-carioca. O feijão-preto também apresentou reação positiva, atingindo as médias mais elevadas desde janeiro do ano anterior.

No mercado doméstico, entretanto, o ritmo de negociações foi mais contido na última semana de fevereiro. Compradores mantiveram postura cautelosa, adquirindo volumes apenas suficientes para reposição imediata no varejo.

Oferta restrita da primeira safra sustenta as cotações

O principal fator por trás da valorização é a limitação de oferta da primeira safra. A disponibilidade reduzida, somada à dificuldade de encontrar lotes de melhor qualidade, mantém os preços firmes e favorece produtores que ainda dispõem de produto armazenado.

A colheita avança em diversas regiões produtoras do país, mas ainda não é suficiente para aliviar o quadro de escassez. Paralelamente, o plantio da segunda safra começa a ganhar relevância nas decisões do mercado.

Nesse contexto, o estado do Paraná assume papel estratégico. A região concentra parcela significativa da semeadura neste período do calendário agrícola, influenciando diretamente as expectativas de oferta para os próximos meses.

Impactos no planejamento da propriedade rural

Com preços em níveis recordes, o produtor precisa redobrar a atenção às estratégias de comercialização. A oferta reduzida criou uma janela de oportunidade, mas exige decisões bem calculadas.

A venda escalonada da produção pode ser uma alternativa interessante para diluir riscos e aproveitar momentos favoráveis de mercado. Além disso, acompanhar relatórios de safra e projeções de oferta contribui para decisões mais seguras.

Manter atenção às condições climáticas, ao avanço das colheitas e ao volume de estoques disponíveis nos armazéns é fundamental para preservar margens e evitar surpresas no fluxo de caixa.

Pontos de atenção para negociar melhor

Alguns indicadores merecem acompanhamento constante:

  • Evolução da colheita da primeira safra: o volume efetivamente retirado do campo determina a oferta imediata.
  • Progresso do plantio no Paraná: o desempenho da segunda safra no estado influencia a expectativa de abastecimento futuro.
  • Comportamento do varejo: o ritmo de reposição nas redes supermercadistas sinaliza a intensidade da demanda interna.

Perguntas frequentes

Por que o feijão-carioca valorizou tanto?
A forte elevação dos preços está ligada à oferta limitada da primeira safra e à escassez de grãos de alta qualidade no mercado.

Qual foi o percentual de alta em fevereiro de 2026?
O avanço médio foi de 29,3% em relação a janeiro, configurando a maior variação mensal da série histórica, conforme dados do Cepea.

Como está a demanda interna?
Apesar dos preços elevados, o mercado opera com liquidez moderada. Indústrias e atacadistas realizam compras pontuais, priorizando apenas a reposição imediata do varejo.

Em síntese, o cenário atual combina preços recordes com oferta restrita. Para o produtor rural, o momento exige análise técnica, estratégia de venda e acompanhamento constante dos indicadores de mercado para garantir rentabilidade sustentável.